09/04/2020 - 12:26:52
Presidente do clube avalia situação financeira da base como um todo e pede ajuda a FGF

Não são apenas os clubes profissionais que estão precisando de ajuda. Os clubes de base também pedem socorro às suas federações para tentar manter suas equipes. O Soledade é o último campeão de torneios da base da Federação Gaúcha de Futebol, quando venceu o Brasil de Pelotas, na final da Copa sub-19, em dezembro.

O primeiro título da história do clube fundado em 2016, conhecido pela formação de atletas, que hoje destacam-se em grandes clubes do Brasil, como Corinthians (Maílson, atacante 2003) e Botafogo (Lucas, lateral esquerdo 2003), e até mesmo do exterior, caso do zagueiro Andrés no Cortuluá-Col, se tornou um sonho transformado em realidade. E o passo seguinte seria uma boa campanha no Gauchão sub20 , deste ano, e consequentemente uma vaga para a tão sonhada Copa São Paulo. No entanto, o sonho está virando pesadelo e a continuidade do futebol com toda essa pandemia está por um fio. O presidente Franciscou Lodi, falou sobre a situação.

"Fomos campeões ano passado sub-19. Nossa ideia era fazer um time forte para conquistar uma vaga para a Copa São Paulo. Esse era nosso objetivo no ano. Projetamos, investimos e contratamos para isto. Agora não sabemos nem se teremos sub-20. Nossos déficit no ano de 2019 foi em torno de R$ 200 mil, principalmente devido a queda de patrocínios , que teve de ser absorvido pelos acionistas do clube . A tendência é que com o primeiro semestre parado e sem perspectivas de quando o futebol na base será retomado, este déficit dobre, o que inviabilizaria a manutenção das atividades co clube. Entre funcionários e contrato de trabalho eram mais de 15 funcionários, força que foi reduzida em 45% após a pandemia. Se forem contabilizados dias de jogos, bem como atletas que recebem ajuda de custo, o numero de pessoas que dependem diretamente do clube passam de 50. Ainda, comércio e serviços da cidade são beneficiados com os gastos em moradia de atletas, alimentação, suplementação, transporte, material esportivo, farmácia, combustível, rede hoteleira, dentre diversas outras despesas e investimentos que ajudam a movimentar a economia da pequena cidade do interior gaúcho", disse

"Entre patrocinadores, empresas e profissionais que ajudam o clube, conseguimos cobrir 20% das despesas mensais do Soledade FC, no entanto, muitos são comércio e estão sofrendo para manter-se abertos nesta época de pandemia e cabe ressaltar que a exportação de pedras preciosas e a agricultura, que são os principais motores da economia local, terão perdas entre 40 e 60 %, bem como a quebra de safra, devido a estiagem. Verbas desse ano, previstas, já não entraram nos cofres do clube. As outras receitas do clube como venda de ingressos, sócios, copa, venda de produtos licenciados, escolinhas de futebol e outros, somados, contribuem com mais 25 a 30% das despesas do clube. Entretanto, estas receitas não estão entrando, uma vez que o clube não está jogando, e não se tem previsão de inicio das competições, o que torna a situação do clube delicadíssima", relatou.

"Muitas cidades no RS com orçamentos maiores que o município de Soledade ajudam os clubes a continuarem com as portas abertas através de patrocínios diretos e indiretos, bem como contratos para promoção de torneios e serviço de escolinha a crianças da comunidade, sendo tais recursos responsáveis por até 60% do orçamento total dos clubes locais. Nós não temos esta opção. A prefeitura de Soledade nos ajuda no deslocamento e transporte em dias de jogos, e com o auxílio no projeto social do clube. Pedir auxilio financeiro ao município, ainda mais em um momento de pandemia como este, seria irreal e contra tudo o que o Soledade FC já fez e faz pela comunidade, pois estaria disputando recursos com a subsistência de pessoas carentes, bem como com a saúde e nosso hospital, que atende os moradores de uma dezena de cidades menores em nossa região", lamentou.

"Estamos quebrando a cabeça, tentando reduzir ao máximo, mas fazer futebol de base nesse momento nos parece ser quase impossível. No primeiro semestre a chance é zero. Sera impossível para os clubes alojarem 10/20/30 atletas sem o controle da disseminação do novo vírus. Estamos vendo diversas situações. Não sabemos que campeonatos serão realizados no segundo semestre. O calendário de competições será diminuído pela metade este ano. No profissional temos a série A e a Divisão de Acesso para terminar. A segundona nem começou. Os torneios da base que durariam o ano inteiro, terão que ser remanejados, e torneios como a Sub 19 que fomos campeões provavelmente não acontecerão. Precisamos da ajuda da FGF e CBF. Gastamos cerca de R$ 1500 por jogo com taxa de arbitragem, sendo que em uma temporada o valor total chega a R$ 30 mil, fora as taxas de contrato e transferências dos atletas que pagamos por ser uma equipe formadora, isentas no caso de clubes que estão disputando os campeonatos gaúchos profissional. No ano passado, fomos o único clube brasileiro a ter um atleta emprestado pelo River Plate. Este ano fizemos investimento em atletas para buscar vaga na COPA SP, aumentando a qualidade do plantel, como atleta da seleção Argentina inferiores, bem como jogadores que estavam em equipes maiores, ate mesmo disputando o Campeonato Gaúcho serie A. Tal investimento hoje se transformou em um tiro no pé, pois não podemos jogar, nem ao mesmo treinar. Entendemos que a CBF está conseguindo resolver os problemas dos participantes dos campeonatos nacionais através de recursos financeiros injetados nos mesmos. Achamos extremamente salutar. Entretanto, a CBF e Confederações estaduais devem olhar para os pequenos clubes também, pois estes são responsáveis por empregar milhares de atletas e profissionais das mais diversas áreas, e principalmente os clubes que se dedicam a revelar atletas, ajudando crianças muitas vezes em situação de vulnerabilidade, e que trabalham o ano inteiro, diferente de muitos clubes de primeira e segunda divisão estaduais, que funcionam quatro meses e fecham as portas pelo resto do ano. Enfim, para voltarmos as atividades, e terminar uma temporada que está se tornando irrecuperável, precisamos de ajuda das nossas federações e confederação, alem de uma união dos clubes menores, senão muitos de nós não teremos como sobreviver", desabafou.

Foto: Arquivo/Assessoria P2

Assessoria de imprensa do Soledade FC